Laço rosa sobre legumes e verduras ilustra o tema alimentação e câncer de mama.
Saúde & Beleza,  Saúde da Mulher

Alimentação e câncer de mama: hábitos que reduzem o risco

No Outubro Rosa, o cuidado com a saúde da mama também passa pelos hábitos diários. Entenda o papel da alimentação, da atividade física e do álcool no risco da doença.

A relação entre alimentação e câncer de mama merece espaço no Outubro Rosa, campanha internacional de conscientização sobre a doença. A nutricionista Adriana Stavro explica como as escolhas alimentares, a atividade física e o consumo de álcool participam das estratégias de redução do risco, com cuidados que devem continuar durante todo o ano.

Nenhum alimento, isoladamente, impede o desenvolvimento do câncer de mama. Entretanto, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco e contribuem para a saúde geral. Eles devem acompanhar o acesso à informação, à detecção precoce e ao tratamento.

Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), o mundo registrou cerca de 2,3 milhões de novos casos e 670 mil mortes por câncer de mama em 2022. Foi o tipo de câncer mais diagnosticado entre as mulheres naquele ano.

Quais fatores influenciam o risco

O câncer de mama tem múltiplas causas. O envelhecimento, o histórico familiar e determinadas alterações genéticas estão entre os fatores que não podemos modificar. A primeira menstruação precoce e a menopausa tardia também influenciam o risco.

Por outro lado, o consumo de álcool, a inatividade física e o excesso de gordura corporal integram os fatores sobre os quais podemos agir. O excesso de peso merece atenção sobretudo após a menopausa.

Ter um fator de risco não significa que uma pessoa desenvolverá a doença. Da mesma forma, manter hábitos saudáveis não elimina essa possibilidade.

Alimentação e câncer de mama: o que as pesquisas indicam

O conjunto da alimentação importa mais do que a procura por um ingrediente com suposto efeito protetor.

Uma revisão sistemática de 2024, conduzida pelo sistema de revisão de evidências nutricionais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, encontrou evidência moderada de associação entre determinados padrões alimentares e menor risco de câncer de mama após a menopausa.

Esses padrões incluem mais verduras, legumes, frutas, feijões, castanhas e cereais integrais. Também apresentam menor consumo de carnes vermelhas e processadas, grãos refinados e alimentos e bebidas açucarados. A associação não significa que uma dieta garanta proteção contra a doença.

Como aplicar esses princípios à mesa brasileira

Não é preciso depender de alimentos importados ou de um cardápio distante da rotina. Feijão, frutas da estação, verduras, legumes e cereais integrais permitem colocar esses princípios em prática.

A dieta mediterrânea aparece com frequência nas pesquisas sobre alimentação e saúde. Ela prioriza alimentos vegetais e inclui azeite de oliva, castanhas e peixes, com menor participação de carnes processadas e doces.

No Brasil, sardinha, amendoim e alimentos disponíveis em cada região podem integrar uma alimentação variada. O planejamento deve considerar o orçamento, as preferências e as necessidades de cada pessoa.

Atividade física faz parte da prevenção

Praticar atividade física e reduzir o tempo sedentário ajudam a cuidar da saúde. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) inclui a atividade física entre as medidas que contribuem para reduzir o risco de câncer de mama.

Caminhar, dançar, pedalar e fazer exercícios de força são formas de incorporar movimento à rotina. A escolha deve respeitar as condições de saúde e as possibilidades individuais.

A regularidade ajuda a transformar a prática em um hábito que pode continuar além do mês de outubro.

Por que o peso merece atenção após a menopausa

O excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de mama após a menopausa. Nessa fase, o tecido adiposo passa a ser uma fonte importante de estrogênios, hormônios que podem favorecer o desenvolvimento de determinados tumores.

Por isso, prevenir o ganho excessivo de peso na vida adulta integra os cuidados com a saúde. Alimentação, atividade física e acompanhamento individualizado devem orientar esse processo.

O diagnóstico, porém, não pode servir para responsabilizar uma mulher por seu corpo ou por suas escolhas. A doença envolve fatores biológicos, genéticos e ambientais.

Álcool aumenta o risco, inclusive em pequenas quantidades

O consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer de mama. Isso também vale para o vinho.

O World Cancer Research Fund recomenda não consumir álcool para prevenir o câncer. Para o câncer de mama, não há um nível de consumo considerado livre de risco.

Assim, o vinho não deve aparecer como recomendação de saúde, mesmo quando o assunto é dieta mediterrânea.

Carnes processadas e ultraprocessados pedem atenção

Presunto, salame, bacon, salsicha e linguiça são exemplos de carnes processadas. A evidência de que esses alimentos causam câncer é mais sólida para o câncer colorretal. Não devemos apresentar essa conclusão como prova de uma relação causal com o câncer de mama.

Para a saúde geral, vale reduzir a presença de carnes processadas e ultraprocessados na rotina e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados.

As pesquisas sobre ultraprocessados e câncer de mama ainda apresentam limitações. Por isso, exigem cuidado ao transformar associações estatísticas em afirmações de causa e efeito.

O cuidado continua depois do Outubro Rosa

O Outubro Rosa amplia a atenção à saúde da mama, mas a prevenção e os cuidados devem continuar de outubro a outubro.

Além de manter uma alimentação variada e praticar atividade física, é importante evitar o álcool e o tabaco e reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessados.

São escolhas que, mantidas ao longo do tempo e aliadas ao acompanhamento de saúde e à detecção precoce, fazem parte desse cuidado durante todo o ano.

Por Adriana Stavro, nutricionista e mestre pelo Centro Universitário São Camilo. Com formação em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School, especialização em Doenças Crônicas Não Transmissíveis pelo Hospital Israelita Albert Einstein e pós-graduações em Nutrição Clínica Funcional pelo Instituto Valéria Paschoal e em Fitoterapia pela Courses4U.

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Informação sobre saúde da mulher em diferentes fases da vida.

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