Quantas vezes você tentou mudar esse ano?
Essa é uma pergunta pertinente neste momento em que fechamos o ano, nos preparamos para as festas e nos inspiramos para um novo ciclo que se inicia. O fim do ano traz esse hábito curioso: ele nos coloca diante de nós mesmos.
Costumamos dizer: “Esse vai ser o meu ano”
Lá no começo do ano, enchemos o peito de inspiração e decidimos: “esse vai ser o meu ano”. Inspirados pelo recomeço e pela sensação de 365 páginas em branco pela frente, criamos metas, desejos, planilhas. E agora, em dezembro, chega o momento de, honestamente, se perguntar: quantas vezes eu tentei mudar? Quantas eu consegui? Quantas não consegui?
Tentamos mudar hábitos, relações, pensamentos, sentimentos, rotinas, versões de nós mesmos. Gostamos da ideia racional de mudar. Na prática, queremos que a mudança aconteça pronta. Não queremos construí-la. Mas nenhuma mudança se sustenta sem construção, sem desconforto, sem perdas, sem medo. Não deu certo na segunda? Deixamos para a próxima segunda, em vez de tentar na terça, na quarta, no sábado… por que não?
A pergunta mais honesta.
Na realidade, o que acontece é que vamos adiando. Passa janeiro, fevereiro. Em junho surgem novas desculpas. Em agosto já não conseguimos mais. E, quando o ano está acabando, deixamos pra lá. O que precisamos é justamente entender esse comportamento que nos faz adiar tanto as próprias decisões.
Talvez, então, a pergunta mais honesta não seja quantas vezes você tentou mudar, mas como você tentou mudar. Mudar não é necessariamente se tornar alguém melhor. Mudar é se tornar alguém mais consciente.
É fazer uma autoanálise do ano para perceber onde você se abandonou, em quais momentos disse “sim” sabendo que deveria ter dito “não”, onde endureceu para sobreviver. Onde repetiu padrões, deixando tudo para depois, esperando que algo de fora viesse te salvar. E, principalmente, onde tentou mudar rápido demais, sem escutar a particularidade dos sentimentos que sustentavam esse desejo de mudança.
A verdadeira mudança.
Algumas mudanças não se resolvem apenas com força de vontade e motivação, mas com presença e percepção. Perceber limites, faltas, feridas. Perceber qual sentimento ancora a mudança que você tanto deseja para a sua vida.
Talvez encerrar o ano não seja sobre renovar promessas. Talvez seja sobre fazer as pazes com o caminho já percorrido. Reconhecer o pouco que foi possível fazer. Honrar o que não foi. E entender que toda mudança real começa quando você se alinha com a própria verdade e para de tentar caber em moldes que não foram feitos para você.
Se você tentou mudar várias vezes este ano e não conseguiu, isso não é fracasso. É sinal de desejo de vida. Só não se esqueça: mudanças duradouras não nascem da pressa, mas da consciência.
E talvez a pergunta que você leve para o próximo ciclo não seja “o que eu preciso mudar no ano que vem?”, mas “o que em mim precisa ser cuidado para que a mudança aconteça?”.



