Guia Michelin Brasil 2026 consagra primeiros três estrelas
O Guia Michelin anunciou, no dia 13 de abril, a seleção Rio de Janeiro & São Paulo 2026 em uma cerimônia no Copacabana Palace. A edição marca um ponto de virada: pela primeira vez, restaurantes da América Latina recebem três estrelas, o mais alto reconhecimento da gastronomia mundial.
E não é apenas uma conquista simbólica. É uma mudança de patamar.
Brasil entra no radar definitivo da alta gastronomia

A edição deste ano apresenta 12 novos restaurantes e reforça um movimento que já vinha sendo observado: a gastronomia brasileira deixou de ser uma promessa para se consolidar como destino internacional.
Segundo os inspetores do guia, há uma característica dominante entre os premiados: o uso de ingredientes locais aliado a uma construção autoral consistente. Ao mesmo tempo, influências internacionais, especialmente a italiana e a japonesa, seguem presentes, mas agora reinterpretadas a partir de uma identidade própria.
Evvai e Tuju: o que define um restaurante três estrelas
Receber três estrelas Michelin significa oferecer uma experiência que justifica uma viagem por si só. E é justamente esse o nível alcançado pelo Evvai e pelo Tuju, ainda que por caminhos diferentes.
Evvai: precisão técnica e identidade
No Evvai, o chef Luiz Filipe Souza constrói um menu degustação que vai além da execução técnica. O conceito “Oriundi” propõe um diálogo entre Brasil e Itália que se materializa em texturas, sabores e narrativas. Os pratos partem de bases conhecidas, mas são reorganizados com precisão. A moqueca branca com lula e pupunha, por exemplo, mantém a essência, mas propõe uma leitura completamente nova.
Tuju: experiência imersiva guiada pelo tempo
No Tuju, a experiência não está apenas no prato, mas no percurso. O restaurante ocupa três andares e cada etapa da refeição acompanha esse deslocamento físico. Sob comando do chef Ivan Ralston, o menu é construído a partir dos ciclos naturais brasileiros: umidade, seca e ventos entram como elementos criativos. O resultado é uma cozinha sensível ao tempo, que evolui e evita a previsibilidade.
Duas estrelas: a constância como valor
Três restaurantes mantêm suas duas estrelas Michelin, reafirmando seu status de referência:
- D.O.M. (São Paulo)
- Lasai (Rio de Janeiro)
- Oro (Rio de Janeiro)
A permanência nessa categoria indica algo fundamental: regularidade. Não se trata de um momento isolado, mas de uma trajetória sustentada de excelência.
Uma nova estrela e um cenário em expansão
O Madame Olympe, no Rio de Janeiro, conquista sua primeira estrela Michelin, elevando para 19 o número de estabelecimentos nesta categoria. A cozinha combina técnica francesa, ingredientes brasileiros e influência japonesa, um reflexo do momento atual da gastronomia, em que as fronteiras se diluem e a identidade ganha força.
Bib Gourmand: onde o guia se aproxima do público
Se há uma categoria que conecta o guia ao cotidiano, é o Bib Gourmand, que destaca casas com boa relação entre qualidade e preço. Nesta edição, seis novos restaurantes entram na lista:
- Koral (Rio de Janeiro)
- Jiquitaia (São Paulo)
- Manioca JK (São Paulo)
- Ping Yang Thai (São Paulo)
- Tabōa Cozinha Artesanal (São Paulo)
- Tanit (São Paulo)
Restaurantes recomendados e a diversidade do cenário
Sete novos endereços passam a integrar a lista de recomendados, totalizando 81 casas. A expansão indica um cenário mais diverso, com diferentes propostas convivendo no mesmo nível de relevância:
- Rio de Janeiro: Sushi Vaz e Yayá Comidaria Pop Brasileira.
- São Paulo: Bar da Dona Onça, Grotta Cucina, Kureiji, Makoto San e Simone.
Sustentabilidade segue como critério
Três restaurantes mantêm a Estrela Verde Michelin, dedicada a estabelecimentos com práticas sustentáveis exemplares: A Casa do Porco, Corrutela e Tuju. A manutenção do selo reforça que a responsabilidade ambiental e social tornou-se um compromisso indissociável da gastronomia moderna.
Os profissionais por trás da experiência
Além das estrelas, o guia reconheceu talentos individuais que elevam o padrão do serviço:
- Jovem Chef: Pedro Coronha
- Sommelier: Robério de Sousa Queiroz
- Serviço: Raphael Zanon
- Coquetelaria: Anderson Oliveira

Mais do que uma premiação
O Guia Michelin 2026 não apresenta apenas uma lista; ele registra um momento histórico. O Brasil passa a ocupar um lugar de destaque no cenário internacional não por replicar modelos externos, mas por aprofundar sua própria essência. A sofisticação, como mostra esta edição, não está no excesso, mas na clareza de propósito.


