Gosto de pessoas, não gosto de gente
O que aprendi escolhendo pessoas em vez de gente
Fim de ano tem disso: a gente começa a olhar para trás e percebe que nem todo mundo que cruzou nosso caminho realmente esteve presente. E, diante de tanta convivência superficial, uma frase que ouvi recentemente me fez refletir muito: “Gosto de pessoas, não gosto de gente.”
Outro dia, ouvi essa frase em um jantar e me identifiquei imediatamente. Porque ela revela algo simples, mas profundo: existe uma diferença enorme entre conviver com pessoas e conviver com gente.
Pessoas são aquelas com quem você conversa de verdade, ri até precisar recuperar o fôlego, troca histórias sem filtro. Pessoas deixam o celular de lado porque você é mais interessante que qualquer notificação. Pessoas perguntam “como você está?” e ficam ali, esperando a resposta de verdade.
Gente, por outro lado, está ali para aparecer, marcar presença, cumprir o roteiro. Gente não conversa, performa. Não troca, representa.
Como sou muito observadora, em mais um desses eventos de fim de ano, percebi que tudo se repetia. Cheguei, cumprimentei, sorri. E em menos de dez minutos já sabia como seria a noite inteira: “Que bom te ver! Precisamos marcar algo! Vamos nos falar!”, sabendo que nada disso ia acontecer.
As mesmas conversas rasas se repetindo em loop. Alguém contando vantagens, outro contando mentira e eu sabendo da verdade, aquela pessoa fazendo questão de demonstrar que ter é mais importante que ser. E eu ali, sorrindo por educação, pensando quando poderia ir embora sem parecer grosseira.
O pior? A maioria com o celular na mão, respondendo WhatsApp, navegando no Instagram, com mais pressa de mostrar em tempo real do que de viver o momento presente.
Você conhece essa cena. Eu conheço. E aposto que você também já saiu de um lugar assim se sentindo exausta.
É tudo tão automático, tão ensaiado. Gente circula pelos lugares como quem cumpre uma obrigação. Aceita todos os convites e, curiosamente, parece que não se diverte.
O resultado? Conversas rasas, risadas forçadas, zero profundidade. Uma sucessão de interações que não acrescentam nada. E aí eu me pergunto: onde estão os diálogos que fazem pensar diferente? As conversas que desafiam, que tiram do lugar? O humor inesperado, a vulnerabilidade que aproxima? Onde estão aqueles encontros que fazem você voltar para casa leve e pensando “que bom que eu vim”?
Ando achando raro. Porque gente não encontra, gente se exibe.
Reconheço que eu mesma já fui “gente” em alguns momentos. Já fui a lugares só para não desagradar, já sorri para pessoas que não mereciam o meu cumprimento, já representei interesse que não sentia. A diferença é que hoje não faço mais isso porque gera esgotamento físico e emocional. Alguns até não entendem isso ou talvez não captem a energia do lugar.
Fazendo meu balanço de fim de ano, percebo o quanto é exaustivo sorrir por educação e fingir entusiasmo em lugares que drenam minha energia. Cansei de interagir com quem vai me esquecer antes de chegar no carro. Cansei de compromissos sociais que não levam a lugar nenhum.
Quero pessoas. Quero quem me faça rir, quem traga conversa boa, quem apareça de verdade. Menos quantidade, mais qualidade. Menos presença física, mais presença emocional.
Porque, no fim das contas, o tempo é nosso bem mais precioso. E eu não pretendo desperdiçá-lo com quem pesa em vez de somar. Se me chamar para um jantar, um café, um vinho… eu vou. Mas que seja em mesa pequena, não em mesa grande. Que seja troca, não performance. Que seja com pessoas, não com gente.
E se você está lendo isso e pensando “nossa, isso sou eu”, talvez seja hora de olhar para sua própria agenda. Quantos desses compromissos você realmente quer? Quantas dessas pessoas realmente importam? Quanto do seu tempo você está entregando para quem não merece?
Talvez eu esteja falando exatamente o que você sente, mas não tem coragem de dizer. Porque vínculos genuínos exigem coragem: coragem de dizer não, coragem de estabelecer limites, coragem de escolher. E eu escolhi.
E sabe o que mais eu escolhi? Pausar.
Vou fazer uma pausa intencional e só voltar com publicações no Instagram e no site em 2026. Não é sobre sumir, é sobre ter a coragem de parar quando tudo empurra você para continuar. É sobre não performar, nem na vida, nem aqui.
Porque eu não crio para performar. Eu crio para fazer sentido. E isso hoje é quase um ato de coragem.
Esse intervalo entre Natal e Ano Novo é território de transição. E eu quero atravessá-lo de verdade, não correndo. Quero voltar renovada, com novas ideias, mais escuta. Mais próxima de quem realmente importa: você, que está aqui, que lê, que sente, que se reconhece.
Talvez por isso tanta gente se reconheça e se conecte com o Provei e Aprovei. Não é sobre estar em todas as trends, é sobre estar inteira em cada escolha. Sobre não fazer nada por obrigação, nem texto, nem parceria, nem presença.
Eu tenho um olhar muito próprio, que não segue modismos, não força tendência e não faz nada por obrigação. Tudo no Provei e Aprovei tem alma. Por isso funciona, por isso conecta.
E é exatamente por isso que essa pausa faz todo o sentido. Porque escolher quando estar presente é tão importante quanto a presença em si. Porque maturidade criativa não é produzir sem parar, é saber quando parar para voltar inteira.
Nos vemos em 2026. Com mais pessoas por perto, mais escuta, mais verdade.
Foto: Malu Serafini



Um comentário
ALBERTO RODRIGUES DE CARVALHO FILHO
Até 2026.