Escape de urina durante o exercício merece atenção
Perder urina ao correr, saltar ou levantar peso pode causar constrangimento, mas tem tratamento. A fisioterapeuta pélvica Priscila Barreto explica quando procurar ajuda.
Uma pequena perda de urina durante a corrida, o CrossFit ou a musculação pode passar despercebida para quem está de fora. Para a mulher que vive a situação, porém, o escape pode mudar a forma de treinar. A fisioterapeuta pélvica Priscila Barreto alerta que o sintoma merece avaliação, mesmo quando acontece apenas durante o exercício.
“Corrida e CrossFit são duas modalidades em que recebo muitas mulheres com perda urinária. São atividades que exigem bastante do corpo e aumentam a pressão exercida sobre a região pélvica. Quando existe alguma alteração na função do assoalho pélvico, o escape pode aparecer durante o esforço”, explica.
Por que a perda de urina aparece no treino?
A incontinência urinária de esforço é a perda involuntária de urina em situações como tossir, espirrar, correr, saltar ou levantar peso. Nessas atividades, o aumento da pressão sobre a bexiga pode provocar o escape.
Na musculação, Priscila recomenda atenção à resposta do corpo, sobretudo durante exercícios com cargas elevadas. Isso não significa que a mulher tenha de deixar de treinar. O primeiro passo é entender o que está causando a perda urinária.
“Não se trata simplesmente de fortalecer mais. O assoalho pélvico precisa ter força, mas também coordenação, capacidade de relaxamento e de responder adequadamente ao esforço. Cada paciente precisa ser avaliada individualmente”, destaca.
Mesmo um escape pequeno merece avaliação
O constrangimento faz com que muitas mulheres demorem a falar sobre o assunto. Algumas passam a adaptar o treino ou a evitar atividades por receio de perder urina novamente.
Para Priscila, o sintoma não deve ser aceito como consequência inevitável da idade, da maternidade ou da prática esportiva.
“Se existe perda de urina, mesmo que seja pequena ou aconteça apenas durante o treino, é importante procurar avaliação. Há tratamento, e a fisioterapia pélvica tem um papel muito importante tanto na prevenção quanto na reabilitação”, afirma.
A avaliação individual ajuda a identificar o tipo de perda urinária e a definir a conduta adequada. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico está entre as opções de tratamento, mas a orientação deve considerar cada caso.
O efeito do problema também pode ir além do exercício. “Existem mulheres que deixam de sair, de encontrar amigos ou de fazer atividades que gostam por causa da incontinência. Quando um sintoma começa a limitar a vida, ele também repercute na autoestima, na segurança e na saúde emocional”, conclui Priscila.
