Oito de março: por que não temos o que comemorar?
O Dia Internacional da Mulher costuma ser cercado de flores e homenagens. Mas, como jornalista e mulher, meu olhar hoje se volta para uma realidade brutal: o feminicídio no Brasil. O que começa como um comportamento aparentemente “suportável” no cotidiano muitas vezes termina como o desfecho de uma tragédia anunciada.
Os números da nossa insegurança
O feminicídio não é um evento isolado. É o reflexo de um machismo estrutural profundamente enraizado na sociedade.
E essa violência não acontece apenas nas ruas. Ela acontece dentro de casa.
Em 2025, o Brasil atingiu o recorde histórico de 1.568 mulheres assassinadas pelo fato de serem mulheres. Isso significa que, no último ano, quatro mulheres foram mortas por dia. Uma morte a cada seis horas.
Na Bahia, o cenário também exige alerta máximo. O estado figura entre os três com maior número absoluto de casos no país. Apenas no último ano, mais de 100 histórias foram interrompidas, com aumento preocupante da violência no interior do estado.
Fontes: Fórum Brasileiro de Segurança Pública (março de 2026), Monitor da Violência G1 (2026) e Defensoria Pública da Bahia (dados de 2025).
O que exatamente estamos comemorando?
Por trás de cada número existe uma mulher que teve a vida interrompida.
Uma filha que não voltou para casa.
Uma mãe que deixou filhos.
Uma mulher que, muitas vezes, já havia pedido ajuda antes.
Especialistas alertam que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Na maioria das vezes, ele é o desfecho de uma violência que já estava instalada.
Esse processo costuma começar de forma silenciosa.
Sem marcas visíveis.
Sem testemunhas.
Mas com consequências profundas.
Como começa o ciclo da violência
A violência psicológica costuma ser a porta de entrada para outras formas de violência. Ela é sutil, estratégica e cruel.
É importante entender que o ciclo de abuso psicológico começa assim:
• O silenciamento: Se você ouve que “ninguém vai acreditar em você”…
Isso é um alerta. O isolamento é a arma dele. Isso é silenciamento.
• O controle: Ele quer saber onde você está o tempo todo. Monitora seu celular. Isso não é cuidado. É controle. É cerceamento.
• A humilhação: Ele te diminui em público ou diz que você é “dramática”.
Desqualificar o seu sentimento é uma forma de domínio. Isso é humilhação.
• O gaslighting: Ele distorce os fatos para você duvidar da própria razão.
Isso tem nome: gaslighting.
• O cárcere emocional: Ele te afasta de familiares e amigos.
Quem ama quer você livre, não isolada. Isso é cárcere emocional.
• A invalidação: Ele diz que a culpa é sua ou que você provocou a situação.
Mas a responsabilidade pela agressão nunca é da vítima. Isso é invalidação.
Esses comportamentos não são apenas palavras. São sinais claros de alerta.
Nenhuma mulher deveria viver com medo ou aceitar a violência como parte da rotina.
Esses comportamentos não são apenas palavras ou atitudes isoladas. São sinais claros de um ciclo de violência.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por isso, não enfrente essa dor sozinha. Denuncie.
Central de Atendimento à Mulher
Telefone: 180
O serviço funciona 24 horas por dia e orienta vítimas de violência.


