Violência contra trabalhadoras domésticas: campanha chega a Salvador
Ação da Themis e da FENATRAD levará peças às ruas da capital baiana em outubro e defende medidas contra o assédio no trabalho.
A violência contra trabalhadoras domésticas é o tema da campanha nacional “Não Passaremos Pano”, realizada pela Themis e pela Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD). De 13 a 26 de outubro, a ação ocupará espaços de circulação em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. O objetivo é dar visibilidade ao assédio e a outras violações que podem ocorrer dentro das residências onde essas mulheres trabalham.
Como denunciar uma violência quando quase ninguém vê o que acontece no local de trabalho? Para diaristas, mensalistas, babás e cuidadoras, essa pergunta tem um peso particular. Muitas trabalham sozinhas, dentro da casa de quem as contratou.
O nome da campanha parte da expressão “passar pano”, usada quando alguém encobre ou deixa passar uma situação errada. Nas imagens, trabalhadoras domésticas e lideranças da categoria seguram panos como forma de tornar pública a reivindicação por um trabalho seguro.
Das redes às ruas
A campanha começou em agosto e reúne informações sobre direitos em um canal do WhatsApp. Além de textos e imagens, o canal usa áudios para alcançar trabalhadoras com diferentes rotinas e níveis de familiaridade com a leitura.
Em outubro, a ação chegará a ônibus, sistemas de transporte e outros espaços urbanos nas quatro capitais. As peças mostram trabalhadoras e lideranças sem uniformes ou aventais, escolha que questiona a forma como a profissão costuma ser representada.
O que está em discussão
A Themis e a FENATRAD também defendem que o Brasil ratifique a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Adotada em 2019, ela reconhece o direito de todas as pessoas a um mundo do trabalho livre de violência e assédio, além de estabelecer diretrizes para prevenir e enfrentar essas práticas. A ratificação brasileira ainda é uma reivindicação da campanha.
Gênero, justiça e direitos humanos
Ao levar a questão para espaços públicos, a campanha chama a atenção para algo que não deveria depender da presença de testemunhas: o direito de trabalhar sem sofrer violência, inclusive quando o trabalho acontece dentro da casa de outra pessoa.


