Pausa e Respiro

Escrever para não explodir: a força silenciosa da escrita terapêutica

Você já tentou colocar no papel aquele nó que se forma entre o peito e a garganta? Às vezes, escrever é o primeiro passo para liberar o que nos prende por dentro. Na correria dos dias, buscamos justificativas para não fazer o que sabemos que pode nos fazer bem. E a campeã das desculpas costuma ser: “não tenho dinheiro”. Pois bem, aqui vai uma ferramenta poderosa e gratuita: a escrita terapêutica.

Essa prática envolve a escrita livre, íntima e reflexiva. O objetivo não é escrever bem. É escrever com verdade. É colocar para fora emoções, memórias e pensamentos que, muitas vezes, estão guardados em níveis mais profundos do inconsciente. Como não há plateia, não há julgamento. Você pode deixar vir o que precisa emergir, com sinceridade e presença.

O psicólogo norte-americano James W. Pennebaker, nos anos 1980, desenvolveu um trabalho pioneiro conhecido como escrita expressiva (expressive writing). Em seus estudos, pessoas que escreveram sobre eventos traumáticos por 15 minutos, ao longo de quatro dias, apresentaram melhorias significativas na saúde mental – e até mesmo na função imunológica.

Entre os principais benefícios da escrita terapêutica, destacam-se:

            •          Consolidação emocional e redução de traumas;

            •          Alívio do estresse, da ansiedade e da depressão;

            •          Melhora da qualidade do sono e da imunidade;

            •          Clareza mental e percepção de padrões internos.

E o melhor: é algo simples, acessível e possível de incluir na sua rotina.

Pode ser em um diário, em bilhetes para si mesma, em cartas que nunca serão enviadas, no bloco de notas do celular ou até em aplicativos gratuitos com senha.

Como começar sua prática de escrita terapêutica:

1. Reserve 10 minutos do seu dia.

Pode ser diariamente, em dias alternados ou duas vezes por semana. O importante é que seja um momento seu, íntimo, de pausa.

2. Escreva sem filtro.

Fale sobre como você está se sentindo, suas emoções, sensações físicas, lembranças, medos, sonhos, raivas. Não pense em certo ou errado. Apenas escreva e deixe fluir.

3. Releia com gentileza.

Depois de escrever, volte ao texto com cuidado. Observe o que surgiu, mas sem julgamento. Apenas reconheça o que veio à tona.

4. Crie um espaço seguro dentro de você.

Com o tempo, sua mente e seu corpo vão entender que ali existe um lugar de acolhimento. E os sentimentos, antes calados, vão começar a se expressar com mais fluidez e leveza.

Não é sobre ter o controle absoluto das emoções. É sobre não deixá-las apodrecerem dentro de você. É sobre criar um espaço onde sua história possa respirar sem máscaras, sem pressa, sem censura e aos poucos ressignificar. Faça o teste. Escreva. Nem que seja para não explodir ou para simplesmente lembrar que você sente, vive e merece se escutar.

Psicóloga, escritora e professora. Em Pausa e Respiro, convida a pequenas paradas com grandes sentidos — reflexões que nutrem o bem-estar e cultivam equilíbrio emocional no dia a dia.

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