
UVVA: a vinícola que está redesenhando o mapa do vinho brasileiro no coração da Chapada Diamantina
O terroir que impressiona logo na chegada
Com solo franco-argilo-arenoso, altitude acima de 1.150 metros e um projeto arquitetônico que respeita a paisagem, a Vinícola UVVA impressiona desde o primeiro instante. Sua estrutura moderna se integra à natureza e convida a desacelerar.

Visitar a UVVA é viver uma mistura de encantamento e surpresa. É o tipo de experiência que tira qualquer visitante do automático e desperta todos os sentidos. A Chapada Diamantina, ainda pouco explorada por muitos, já se revelou um tesouro para mim. Começar por Mucugê e pelo terroir da UVVA foi um privilégio. Mesmo já tendo conhecido vinícolas no Brasil e no exterior, foi na UVVA que percebi o impacto de ver o vinho brasileiro alcançar excelência. Só entende a UVVA quem vai à UVVA.

Uma história que nasce da terra
A UVVA carrega o espírito pioneiro da Família Borré, que chegou a Mucugê, na Bahia, em 1980. Foram dez anos de estudos sobre o solo da Chapada Diamantina até que, em 2022, o sonho se tornou realidade. Qualidade, inovação e desenvolvimento regional são os pilares desse projeto que reposicionou a vitivinicultura brasileira.
Durante a visita, Fabiano Borré, CEO da UVVA e do Grupo Fazenda Progresso, apresentou o terroir, os experimentos com leveduras nativas e a técnica de dupla poda, que garante colheitas no ponto ideal. No laboratório, tecnologia e pesquisa se unem para criar vinhos que carregam a identidade única da Chapada.
Fabiano costuma dizer:
“O vinho é fruto de uma soma de fatores, mas só alcança excelência quando é feito com alma e propósito.”

Além de produzir vinhos de alta qualidade, ele transformou a paisagem da região em um destino enoturístico, onde arquitetura, terroir, gastronomia e cultura se encontram.
O que torna a UVVA única
A vinícola possui 52 hectares de vinhedos com variedades como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec, Syrah, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Chardonnay.

O terroir combina solo franco-argilo-arenoso, microclima tropical e grande amplitude térmica, criando condições ideais para uvas de alta qualidade. Toda colheita é manual, com seleção rigorosa no campo. O desengace é feito por tecnologia de oscilação, evitando oxidação precoce, seguido de nova triagem manual antes da fermentação por gravidade ou prensagem.
Respeito ao meio ambiente, práticas sustentáveis e valorização da cultura local fazem parte da rotina da vinícola.
Beleza que se vê e se sente
O projeto arquitetônico, assinado por Vanja Hertcert — especialista em vinícolas e mercado de luxo —, é um espetáculo à parte. A construção valoriza a luz natural e o vento, usando materiais sustentáveis e captação de água da chuva, criando harmonia entre tradição e modernidade. Já o projeto interno, da GAM Arquitetos, reforça a identidade e a valorização da Bahia. Já o projeto interno, da GAM Arquitetos, reforça a identidade e a valorização da Bahia.

Uma experiência para todos os sentidos
Os rótulos da UVVA impressionam pela estrutura, frescor e elegância. A degustação, conduzida pelo enólogo e diretor técnico Marcelo Petroli, é feita com tempo, permitindo que o visitante aprenda e apure o paladar.

No restaurante Arenito, comandado pelo chef André Chequier, ingredientes locais ganham protagonismo em pratos que se conectam perfeitamente aos vinhos da casa. É a prova de que a Bahia também é potência na vitivinicultura e na enogastronomia, com sotaque e identidade próprios.

Arte e cultura na cave
A cave da vinícola foi adaptada para receber intervenções artísticas. Funciona como uma galeria de arte contemporânea que dialoga com a história e a natureza da Chapada. Na minha visita, a exposição era do artista plástico Marcos Zacariades, radicado em Igatu, que transforma madeiras encontradas na natureza em obras que abordam temas sociais, ambientais e históricos.

Vindima: um convite para viver a colheita
Fui a convite da UVVA para participar da Vindima, realizada apenas em julho. Mais do que um evento, é uma imersão completa no universo do vinho. A experiência é uma verdadeira aula sobre vitivinicultura: desde a participação na colheita até as etapas iniciais de produção. No meio desse roteiro, um almoço especial e a degustação de vinhos exclusivos encerram o dia com sabor e história.
Fiquei hospedada no Refúgio na Serra Boutique Hotel, propriedade de Cristina Cagliari Borré. Mas sobre esse lugar encantador, falaremos em outra pauta.
Mais que vinhos, um destino

A UVVA não é apenas uma vinícola. É um destino que une vinho, cultura, gastronomia e a vista deslumbrante da Serra do Sincorá. Uma experiência que fica na memória e escreve um novo capítulo na história do vinho brasileiro.
Fotos: Tereza Carvalho


3 Comentários
José Carlos Junior
Ainda quero fazer essa viagem para conhecer.
Depois desse conteúdo, meu deu vontade de estudar um pouco mais sobre Vinhos.
Tereza Carvalho
Vale muito fazer essa viagem!
ALBERTO RODRIGUES DE CARVALHO FILHO
Que passeio interessante, Em breve faremos uma visita.