Provei e Aprovei

UVVA: a vinícola que está redesenhando o mapa do vinho brasileiro no coração da Chapada Diamantina

O terroir que impressiona logo na chegada

Com solo franco-argilo-arenoso, altitude acima de 1.150 metros e um projeto arquitetônico que respeita a paisagem, a Vinícola UVVA impressiona desde o primeiro instante. Sua estrutura moderna se integra à natureza e convida a desacelerar.

Visitar a UVVA é viver uma mistura de encantamento e surpresa. É o tipo de experiência que tira qualquer visitante do automático e desperta todos os sentidos. A Chapada Diamantina, ainda pouco explorada por muitos, já se revelou um tesouro para mim. Começar por Mucugê e pelo terroir da UVVA foi um privilégio. Mesmo já tendo conhecido vinícolas no Brasil e no exterior, foi na UVVA que percebi o impacto de ver o vinho brasileiro alcançar excelência. Só entende a UVVA quem vai à UVVA.

Cédito: Felipe Almeida
Tereza Carvalho – Crédito: Felipe Almeida

Uma história que nasce da terra

A UVVA carrega o espírito pioneiro da Família Borré, que chegou a Mucugê, na Bahia, em 1980. Foram dez anos de estudos sobre o solo da Chapada Diamantina até que, em 2022, o sonho se tornou realidade. Qualidade, inovação e desenvolvimento regional são os pilares desse projeto que reposicionou a vitivinicultura brasileira.

Durante a visita, Fabiano Borré, CEO da UVVA e do Grupo Fazenda Progresso, apresentou o terroir, os experimentos com leveduras nativas e a técnica de dupla poda, que garante colheitas no ponto ideal. No laboratório, tecnologia e pesquisa se unem para criar vinhos que carregam a identidade única da Chapada.

Fabiano costuma dizer:

“O vinho é fruto de uma soma de fatores, mas só alcança excelência quando é feito com alma e propósito.”

Crédito: divulgação
Fabiano Borré – Crédito: Divulgação

Além de produzir vinhos de alta qualidade, ele transformou a paisagem da região em um destino enoturístico, onde arquitetura, terroir, gastronomia e cultura se encontram.

O que torna a UVVA única

A vinícola possui 52 hectares de vinhedos com variedades como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot, Malbec, Syrah, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Chardonnay.

O terroir combina solo franco-argilo-arenoso, microclima tropical e grande amplitude térmica, criando condições ideais para uvas de alta qualidade. Toda colheita é manual, com seleção rigorosa no campo. O desengace é feito por tecnologia de oscilação, evitando oxidação precoce, seguido de nova triagem manual antes da fermentação por gravidade ou prensagem.

Respeito ao meio ambiente, práticas sustentáveis e valorização da cultura local fazem parte da rotina da vinícola.

Beleza que se vê e se sente

O projeto arquitetônico, assinado por Vanja Hertcert — especialista em vinícolas e mercado de luxo —, é um espetáculo à parte. A construção valoriza a luz natural e o vento, usando materiais sustentáveis e captação de água da chuva, criando harmonia entre tradição e modernidade. Já o projeto interno, da GAM Arquitetos, reforça a identidade e a valorização da Bahia. Já o projeto interno, da GAM Arquitetos, reforça a identidade e a valorização da Bahia.

Uma experiência para todos os sentidos

Os rótulos da UVVA impressionam pela estrutura, frescor e elegância. A degustação, conduzida pelo enólogo e diretor técnico Marcelo Petroli, é feita com tempo, permitindo que o visitante aprenda e apure o paladar.

Marcelo Petroli

No restaurante Arenito, comandado pelo chef André Chequier, ingredientes locais ganham protagonismo em pratos que se conectam perfeitamente aos vinhos da casa. É a prova de que a Bahia também é potência na vitivinicultura e na enogastronomia, com sotaque e identidade próprios.

Arte e cultura na cave

A cave da vinícola foi adaptada para receber intervenções artísticas. Funciona como uma galeria de arte contemporânea que dialoga com a história e a natureza da Chapada. Na minha visita, a exposição era do artista plástico Marcos Zacariades, radicado em Igatu, que transforma madeiras encontradas na natureza em obras que abordam temas sociais, ambientais e históricos.

Vindima: um convite para viver a colheita

Fui a convite da UVVA para participar da Vindima, realizada apenas em julho. Mais do que um evento, é uma imersão completa no universo do vinho. A experiência é uma verdadeira aula sobre vitivinicultura: desde a participação na colheita até as etapas iniciais de produção. No meio desse roteiro, um almoço especial e a degustação de vinhos exclusivos encerram o dia com sabor e história.

Fiquei hospedada no Refúgio na Serra Boutique Hotel, propriedade de Cristina Cagliari Borré. Mas sobre esse lugar encantador, falaremos em outra pauta.

Mais que vinhos, um destino

A UVVA não é apenas uma vinícola. É um destino que une vinho, cultura, gastronomia e a vista deslumbrante da Serra do Sincorá. Uma experiência que fica na memória e escreve um novo capítulo na história do vinho brasileiro.

Fotos: Tereza Carvalho

Jornalista e profissional multifacetada, com uma trajetória sólida que transita entre o mundo corporativo, o empreendedorismo e a criação de conteúdo, marcada por um olhar apurado e uma curadoria refinada. Com experiência em comunicação, é reconhecida por conectar marcas e pessoas por meio de experiências autênticas. Apresenta lugares, sabores e histórias que merecem ser valorizados. Mais do que dicas, entrega conteúdo com propósito.

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