Pausa e Respiro

Aprendendo a transformar a solidão em solitude

O silêncio que pesa mais do que uma multidão

Você já sentiu a presença do silêncio pesar mais do que qualquer multidão?
Você é uma pessoa que evita, ao máximo, ficar só? Você preenche seu dia, seu espaço e seu tempo com diversas atividades apenas para evitar o encontro com o seu próprio silêncio? Estar só se revela de maneiras diferentes para cada pessoa: pode ser fonte de dor ou um espaço de reencontro consigo mesma.

A diferença entre solidão e solitude

Hoje, quero te apresentar dois conceitos distintos de uma mesma situação.
Solidão é um sentimento doloroso de desconexão, mesmo quando se está rodeada de pessoas. É um vazio que a companhia do outro e a rotina não conseguem preencher.

Solitude é a escolha consciente de estar só. Um momento de presença, escuta e construção de intimidade consigo mesma.

Estar consigo mesma é um movimento que permite o acolhimento dos próprios pensamentos, emoções e sensações. Não é sobre estar só. É sobre estar com você.

Então, quando você diz que não gosta de ficar só, o que está realmente dizendo é que não gosta da sua própria companhia. Quão triste essa afirmação pode ser? Se você não gosta de estar com você mesma, por que outra pessoa gostaria? É duro pensar assim, mas quanto antes você se relacionar com essa verdade, mais cedo poderá aprender a lidar com seu silêncio de forma mais gentil, produtiva e que colabore com o seu bem-estar.

O retrato dos relacionamentos no Brasil

Para ancorar essa reflexão no contexto atual, trago dados recentes do IBGE (2023):

  • Foram registradas 440,8 mil separações no país
  • Houve um aumento de 4,9% nos divórcios em relação ao ano anterior
  • A duração média dos casamentos caiu para 13,8 anos
  • A taxa geral de divórcios foi de 2,8 a cada mil habitantes com 20 anos ou mais
  • A média de idade no momento da separação foi de 44,3 anos para os homens e 41,4 anos para as mulheres
  • A cada 100 casamentos entre pessoas de sexos diferentes, cerca de 47 terminam em divórcio

(Fonte: IBGE, Estatísticas do Registro Civil 2023)

Como transformar a solidão em solitude

O que esses números refletem em você? Vivemos em uma cultura que valoriza pouco a solitude. E com o aumento das separações, mais pessoas estão vivendo sozinhas, mas sentindo-se mal por isso. Muitas não sabem como se relacionar de outra forma com o tempo de estar só. Por isso, quero compartilhar três práticas simples para começar a transformar a sua relação com a solidão:

  1. Defina intencionalmente um momento só seu
    Pode ser uma manhã silenciosa, um café por uma hora sem celular, uma caminhada leve sem fones no ouvido. Traga sua presença para esse momento. Esteja com você. Acolha o que surgir, sem pressa, sem julgamento.
  1. Comece a nomear o seu sentir
    Perceba: o que você está vivendo é solidão ou solitude? Dar nome ao seu estado emocional é o primeiro passo para compreendê-lo, e então, transformá-lo.
  1. Escreva para si mesma
    Já falei aqui sobre a escrita terapêutica, e não poderia deixar de citá-la novamente. Ela é uma grande companheira da solitude. Escreva uma carta para a sua solidão. Dê forma e palavra ao que sente. Materialize sua presença. Reconheça-se.

A reconciliação com o silêncio

A solidão pode doer e, às vezes, vir como um lembrete de que você tem se esquecido de si. Ela te convida a fazer as pazes com o silêncio. Te chama de volta para casa. E oferece a chance de transformar a sua relação com o bem mais precioso que existe: você mesma.

Psicóloga, escritora e professora. Em Pausa e Respiro, convida a pequenas paradas com grandes sentidos — reflexões que nutrem o bem-estar e cultivam equilíbrio emocional no dia a dia.

Um comentário

  • Sandra Lima

    Que texto maravilhoso, claro, terapêutico e intuitivo.
    Amo a solicitude, me cura, me acolhe, me salva!
    As dicas foram maravilhosas, os dados “alarmantes”, acredito que uns momentos de solitude teria salvado alguns relacionamentos.

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