Priscila Barreto, fisioterapeuta pélvica, fala sobre as causas da dor na relação sexual e a importância da avaliação da saúde íntima feminina.
Saúde da Mulher

Dor na relação sexual: por que tantas mulheres ainda demoram a procurar ajuda?

Condição afeta a saúde íntima, emocional e relacional das mulheres, enquanto a desinformação e o silêncio ainda dificultam o debate sobre o tema

Sentir dor durante ou após a relação sexual não faz parte de uma vida íntima saudável. Ainda assim, muitas mulheres convivem com esse desconforto em silêncio, seja por vergonha, falta de informação ou pela crença equivocada de que sofrer durante o sexo é algo comum ao universo feminino.

Conhecida clinicamente como dispareunia, a condição pode surgir em diferentes fases da vida e impactar não apenas a sexualidade, mas também a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional.

O problema é mais frequente do que parece

Embora o tema ainda seja cercado por tabus, estudos brasileiros apontam que a dor na relação sexual está longe de ser um caso isolado. Uma revisão publicada na Revista Brasileira de Sexualidade Humana mostra que cerca de 30% das mulheres em idade reprodutiva e sexualmente ativas convivem com dor pélvica. Entre elas, aproximadamente metade relata desconforto durante as relações sexuais.

Outra pesquisa realizada com mulheres entre 18 e 35 anos identificou impactos significativos da dispareunia na função sexual, especialmente na satisfação e na qualidade de vida. Apesar dos números, muitas mulheres ainda adiam a busca por ajuda profissional. O receio de falar sobre o assunto e a tendência de minimizar os sintomas contribuem para o subdiagnóstico.

Quando a dor é um sinal de alerta

Para a fisioterapeuta pélvica Priscila Barreto, qualquer dor recorrente durante ou após a relação sexual exige investigação.

“Dor durante ou após a relação sexual nunca deve ser considerada normal. Muitas mulheres passam meses ou até anos convivendo com esse desconforto sem falar sobre isso, porque acreditam que é algo esperado, hormonal ou emocional demais para ser levado a sério. Mas a dor sinaliza que algo não vai bem no organismo e exige investigação”, afirma.

As causas podem variar. Entre as mais comuns estão alterações hormonais, ressecamento vaginal, endometriose, menopausa, infecções recorrentes, cicatrizes pós-parto e alterações na musculatura do assoalho pélvico. Questões emocionais também podem contribuir para o surgimento ou agravamento dos sintomas.

A importância da avaliação da saúde pélvica

O assoalho pélvico exerce papel fundamental na resposta sexual feminina. Quando há tensão muscular excessiva, contrações involuntárias ou dor na região, o desconforto pode interferir diretamente na intimidade e no prazer.

“O assoalho pélvico participa diretamente da resposta sexual feminina. Quando existe tensão muscular, contração involuntária ou dor nessa região, isso interfere no conforto, no prazer e na autoconfiança da mulher durante a relação. Por essas questões, a avaliação da saúde pélvica tem papel fundamental, e a profissional deve conduzi-la de forma individualizada, detalhada e com um olhar integral para essa mulher”, explica Priscila Barreto.

A especialista destaca ainda que a consulta preventiva também pode contribuir para o conhecimento sobre a própria saúde íntima. “Mesmo sem queixas, toda mulher com vida sexual ativa deve fazer uma avaliação com uma fisioterapeuta especializada, a fim de obter mais conhecimento e orientações sobre sua saúde pélvica. Autoconhecimento nunca é demais”, acrescenta.

Fisioterapia pélvica pode ajudar no tratamento

A fisioterapia pélvica tem ganhado espaço como parte do tratamento para mulheres que convivem com dores relacionadas à intimidade. Nesse contexto, a abordagem pode auxiliar no relaxamento muscular, na melhora da mobilidade dos tecidos e na consciência corporal.

Segundo Priscila Barreto, muitas pacientes chegam ao consultório evitando relações por medo da dor. “Muitas pacientes chegam ao consultório evitando a intimidade ou associando a relação sexual ao sofrimento. Quando descobrem que existe tratamento, elas passam a compreender melhor o próprio corpo e recuperam qualidade de vida, segurança e confiança”, afirma.

Falar sobre o assunto também é uma forma de cuidado

Para a especialista, desconfortos recorrentes durante a relação sexual não devem ser ignorados nem tratados como algo inevitável. Quanto mais cedo profissionais identificarem a causa, maiores serão as chances de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Romper o silêncio em torno da dor sexual feminina continua sendo um passo importante para ampliar o acesso à informação e ao cuidado. Afinal, sentir dor não deve fazer parte da intimidade de nenhuma mulher.

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Informação sobre saúde da mulher em diferentes fases da vida.

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